domingo, 2 de fevereiro de 2014

Pessoas com síndrome de Down na mídia no fim do ano

Por Equipe Inclusive

 Por Patricia Almeida
Neste fim de ano tivemos a grata surpresa de ver pessoas com síndrome de Down retratadas em várias situações na mídia. Algumas foram mais construtivas do que outras, mas são um grande avanço em relação a um tempo em que modelos com deficiência passavam longe da publicidade, das novelas e das matérias televisivas.
Um bom exemplo foi a mensagem de fim de ano do Banco do Brasil. O Banco já havia sido pioneiro na publicidade inclusiva em 2008 com o comercial Desejar, em que um menino com síndrome de Down aparece numa cena familiar.
http://www.inclusive.org.br/?p=2864
Este ano, dentro da Campanha Bom 2014 pra Todos  - Pequenos Grandes Desejos, filhos de funcionários do banco participam, desejando coisas legais para o ano que vem. Uma das crianças é uma menina com síndrome de Down (a que aparece na foto acima e no vídeo da campanha).
http://bom2014pratodos.com.br/
Em telefornais, uma reportagem da TV Santos, feita pela jornalista Marcela Pierotti, que foi ao ar na véspera de Natal, mostrou um jovem que coleciona diversos tipos de papai Noeis. A repórter foi à casa da família e conversou com o colecionador, Pedro Monteiro, de 20 anos, com sua mãe e seu pai. A primeira coisa que salta aos olhos é que em momento nenhum é dito que Pedro tem síndrome de Down.
Uma pessoa pode até pensar, claro, isso não tem nada a ver com o assunto da matéria. Mas podem ter certeza que em 99% dos casos os jornalistas não conseguem resistir à tentação de citar um atributo como este numa matéria. É raro também não sucumbirem o clichê da musiquinha triste e melosa quando o personagem da matéria tem deficiência. Ponto para a TV Santos, que tratou o assunto com musica adequada e de forma respeitosa e altiva, sem infantilizar o entrevistado.
É preciso notar que eu me refiro à matéria que foi ao ar no telejornal – a “cabeça” lida pelo apresentador e o Video Tape da matéria (e não ao texto escrito que foi postado no site do G1, esse sim revela que o rapaz em questão tem síndrome de Down).
http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2013/12/apaixonado-por-enfeites-jovem-coleciona-bonecos-de-papai-noel.html
Finalmente, um comercial da Friboi foi exibido em horário nobre na época do Natal. Nele, apareceram jovens com síndrome de Down que participam do projeto Chefs Especiais, de São Paulo, que a Friboi começou a patrocinar.  Apesar do comercial ter produção caprichada, usar a terminologia correta e ser no geral positivo, há algumas coisas nele que me incomodaram. A primeira é a música. Temas melosos me desagradam profundamente pois reforçam o esteriótipo de que pessoas com deficiência são anjos de outro mundo, e não seres humanos como outros quaisquer. Na mesma linha, o uso da câmera lenta e imagem difusa também contribuíram para esse ar etéreo. Mas o que mais me desagradou no filme foi a cena final do brinde – no lugar de vinho ou champagne, suco de laranja. Quem brinda com suco de laranja? Se os personagens não fossem jovens e adultos com síndrome de Down, estariam brindando com suco de laranja? Um pequeno detalhe que para muitos pode passar despercebido, para mim saltou aos olhos, pois vi nele a infantilização sistemática de que são alvo as pessoas com deficiência intelectual. Estamos preparando jovens para a vida independente e o mercado de trabalho, mas ao mesmo tempo tratando-os como eternas crianças que não podem consumir álcool.
http://www.youtube.com/watch?v=2qNonN-gAjo
No link abaixo é possível ver o Making Off do filme da Friboi e saber mais sobre o projeto Chefs Especiais.
http://chefsespeciais.blogspot.com.br/
Que ótimo que vemos cada vez mais comerciais e matérias  jornalísticas com pessoas com síndrome de Down e outras deficiências.
Mas fica o recado para a Friboi e demais anunciantes, assim como jornalistas e publicitários: Que tal aproveitar estas oportunidades para desconstruir preconceitos? Na dúvida, vale a máxima – se não tivesse deficiência, como seria? Essa é a melhor forma de acertar a mão na inclusão.
Outras notícias de Mídia e Deficiência
http://www.inclusive.org.br/?cat=218

Portadores da Síndrome de Down vivem 50 anos a mais que no passado.

Thaís Sabino

Rosto típico, dificuldade para falar e aprender. No passado, por volta de 1947, estes traços indicavam uma vida curta, entre 12 e 15 anos. O diagnóstico da Síndrome de Down - uma alteração genética produzida pela presença de um cromossomo a mais, o par 21 - era muito mais aflitivo do que é hoje para os pais. Atualmente, a expectativa de portadores da alteração genética está entre 60 e 70 anos, de acordo com a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Nesta quarta-feira (21), é comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down.

Ao mesmo tempo, os casos se tornam cada vez mais frequentes, afirmou a fisioterapeuta pediátrica especialista no desenvolvimento de portadores da Síndrome de Down, Fernanda Davi. "Estão mais comuns, pois as mulheres têm filhos cada vez mais tarde, acima dos 35 anos", justificou. De acordo com a Fundação Síndrome de Down, há maior probabilidade da ocorrência do problema em relação à idade materna, quanto mais idade a mulher tiver, mais risco de a Síndrome de Down se manifestar.
Exames podem diagnosticar a alteração genética ainda no período de gestação, mesmo assim, existem casos em que a Síndrome de Down é descoberta apenas ao nascimento do bebê. "Assim que a criança sai do hospital, já começamos o tratamento", disse Fernanda. Com acompanhamento de um fisioterapeuta e de um fonoaudiólogo o portador pode andar, falar e frequentar uma escola normalmente, disse a fisioterapeuta.                                                                            

                                                                   
  Guilherme começou a fisioterapia cedo e, atualmente, já anda, sobe escadas e corre. Ele tem 1 ano e 11 meses Foto: Arquivo pessoal / Divulgação     
O principal problema apresentado pela criança com SD é a falta de tônus muscular. "Eles são mais moles", disse Fernanda. Esta carência interfere nas habilidades motoras, por isso, exercícios de fisioterapia e fonoaudiologia são importantes para o paciente andar e falar como uma criança normal. "Aos dois anos e meio, três, eles já conseguem fazer tudo, andar, correr, se equilibrar em um pé só", descreveu Fernanda sobre a evolução dos pacientes.
  
O tratamento usado pela fisioterapeuta é o Cuevas Medek Exercise (CME), que desenvolve movimentos como segurar o pescoço, rolar, sentar, arrastar, engatinhar, ficar em pé, andar e correr, segundo Fernanda. "Primeiro eu gero o desequilíbrio para que elas mesmas consigam desenvolver o equilíbrio do próprio corpo. Com apenas algumas caixas e pedaços de madeira, eu monto um cenário no qual as crianças brincam ao mesmo tempo em que vão se desenvolvendo", explicou.
  Características
Achatamento da parte de trás da cabeça, dobras nos cantos internos dos olhos, ponte nasal achatada, orelhas ligeiramente menores, boca pequena, mãos e pés pequenos, rosto redondo, cabelos lisos, pescoço curto, flacidez muscular, prega palmar única e pele na nuca em excesso são as características físicas usualmente apresentadas por pessoas com Síndrome de Down.
As pessoas com a diferença genética têm tendência à obesidade, cardiopatias, hipotireoidismo, problemas renais e alteração dos glóbulos brancos no sangue. A dificuldade de cognição também é comum, porém, apesar de levar mais tempo que uma pessoa normal, quem tem Síndrome de Down é perfeitamente capaz de aprender e absorver conhecimento sobre diversas áreas, afirmou Fernanda.
Segundo a psicóloga Juliana Siqueira Baida, do Serviço de Formação e Inserção ao Mercado de Trabalho da Fundação Síndrome de Down, "todos conseguem se desenvolver profissionalmente. As maiores dificuldades apresentadas são nas relações interpessoais, devido às barreiras impostas pela sociedade e muitas vezes pela equipe de trabalho", disse ela. Outro ponto, é o relacionamento de casal entre pessoas com Síndrome de Down. "Eles exprimem a sexualidade de forma inadequada devido à constante repressão", afirmou Juliana.
Papel de mãe
"Como eu já tinha passado por um parto normal, cheguei ao hospital e me falaram que seria bem rápido, porque seria parto normal de novo. Começou a demorar demais. Depois de seis horas ele nasceu. Quando ele saiu, virou uma bolinha, todo mole, minha outra filha já saiu durinha, totalmente diferente. Olhei nos olhinhos dele e percebi na hora". O relato é de Renata Camargo, mãe de Guilherme, 1 ano e 11 meses, que apesar de não apresentar qualquer alteração nos exames durante a gestação, nasceu com Síndrome de Down.
"Vem aquele sentimento de desespero, de que não quer acreditar. Me perguntava como iria ser e como iria contar para as pessoas. Mas quando peguei ele nos braços, senti o mesmo amor que tenho pela minha filha", contou Renata. Ela confessou que foi difícil evitar questionamentos dos motivos que levaram aquilo a acontecer com ela mas, passado um tempo, Renata decidiu parar de sofrer, cuidar de Guilherme e dar todo amor possível a ele.
Encantada pelo avanço do filho com os tratamentos de fisioterapia, ela disse que em um mês ele "subiu dois degraus". Guilherme começou a andar há cerca de três meses e só frequenta as sessões fisioterapêuticas para aperfeiçoar o que já sabe. "Ele está subindo rampas e escadas", disse. Sobre o desafio de aceitar um filho com Síndrome de Dawn, Renata questionou: "se uma pessoa tem um filho completamente normal e acontece alguma coisa que o deixe com algum problema, ela deixará de amá-lo?".

Fonte: Portal Terra


                                                                                                                                        

                                                                                                                                                                                                                          


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sábado, 1 de fevereiro de 2014

Designer sem nenhum dedo das mãos faz sucesso vendendo joias e tem sua própria marca há 24 anos

Quais são suas desculpas para não fazer algo que gosta? Annette Gabbedey poderia ter se conformado ao fato de não ter nenhum dos dedos das mãos, mas ao invés disso ela seguiu seu sonho e se tornou uma brilhante joalheira.
Annette faz delicadas criações de anéis e pulseiras com diamantes e opalas preciosas em sua oficina, tudo sozinha, usando todas as ferramentas convencionais a qualquer ourives. O que fez foi alguns dispositivos para adaptar às suas mãos, que possuem grande sensibilidade, o que auxilia o trabalho nas peças. Ela se formou em manufatura e design de joias, começou como vendedora numa joalheria e há 24 anos possui sua própria marca na cidade de Frome.
Seu talento para construir joias lhe rendeu reconhecimento e um faturamento alto: sua peça mais cara foi um colar de ouro amarelo e branco de 18 quilates, feito especialmente para comemorar quando fez 21 anos de carreira, e foi vendido por 25 mil libras. A designer atribui muito de seu sucesso ao apoio incondicional que recebeu da família, que sempre a incentivou a sair pro mundo e fazer o que queria.



30/01/2014

Lenda Paralímpica do tênis de mesa, Natalia Partyka busca primeira medalha Olímpica nos Jogos Rio 2016

Jovem polonesa está entre os dez atletas do mundo a combinar participações nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos

 

                                   

 "Meu maior sonho é conquistar medalhas nas duas competições”, diz a tricampeã Paralímpica Natalia Partyka (Foto: Matthew Loyd/Getty Images) 

 

Natalia Partyka faz parte de um seleto grupo no cenário internacional do esporte. A jovem polonesa de 24 anos, que nasceu sem a mão e parte do antebraço direito, é uma das dez atletas do mundo a combinar participações nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Já em preparação para o Rio 2016, a tricampeã Paralímpica de tênis de mesa sonha conquistar na capital carioca sua primeira medalha Olímpica.
“Sempre sonhei em disputar os Jogos Olímpicos e os Jogos Paralímpicos, e esse desejo se tornou 100% completo em Londres, quando participei das disputas Olímpicas individuais e por equipes. Foi uma oportunidade ótima e aprendi muito lá. Quero reviver esta experiência no Rio 2016 e estou trabalhando forte para isso. Meu maior sonho é conquistar medalhas nas duas competições”, diz a polonesa, em entrevista ao site rio2016.com.
Natalia começou a jogar tênis de mesa aos sete anos de idade. Aos 11, veio a primeira de muitas marcas da carreira: tornou-se a atleta mais jovem a participar dos Jogos Paralímpicos, em Sydney. Quatro anos depois, ganhou o primeiro ouro, nas disputas individuais da classe 10, em Atenas, e a prata por equipes.
Em Pequim, ela começava a fazer história. Além de conquistar o bicampeonato individual Paralímpico e prata por equipes, fez parte da equipe Olímpica polonesa que disputou os Jogos. Em 2012, o ápice, com o tricampeonato Paralímpico individual, o bronze por equipes e participações nos torneios Olímpicos de simples e por equipes.
Se alcançar seu objetivo, Natalia repetirá o feito do húngaro Pál Szekeres, medalhista de bronze na esgrima Olímpica e tricampeão paralímpico na esgrima em cadeira de rodas após sofrer acidente de carro.
A trajetória da lenda polonesa inspira uma jovem brasileira. Revelação nacional no tênis de mesa Paralímpico, Bruna Alexandre, de 18 anos, quer repetir o feito de Natalia nos Jogos Rio 2016. Com parte do braço direito amputado após um erro médico aos três meses de idade,  Bruna integra a selação brasileira Olímpica e Paralímpica da modalidade e é a quarta colocada no ranking mundial Paralímpico da classe 10.
“A história da Natalia e tudo que ela faz são uma inspiração para mim. Estou me dedicando muito para, no Rio, disputar os Jogos Olímpicos e os Jogos Paralímpicos, como ela fez em Londres e Pequim. É uma atleta muito inteligente, ágil e dona de um saque muito bom. Em uma entrevista, ela disse que eu serei campeã mundial daqui a alguns anos, e esse comentário me deixou muito feliz e confiante de que estou no caminho certo”, revela a brasileira, que chegou às quartas de final dos Jogos Paralímpicos de Londres, quando tinha 17 anos.


 

 

 

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