sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Adultos convivem com o autismo sem saber

Pessoas que passaram anos com os sintomas do transtorno contam como é a redescoberta do mundo depois do diagnóstico tardio

 O revisor Jacob Galon sempre teve dificuldade para fazer amizades por não saber o que dizer ou  fazer para ser considerado um amigo.




O autismo atinge hoje uma em cada 88 crianças e, na infância, soma mais casos que aids, câncer e diabete juntos. Entretanto, a síndrome não é restrita a meninos e meninas e boa parte dos adultos que têm autismo nem sabe disso.
São pessoas que estão na parte menos comprometida do espectro, que não têm deficiência intelectual (mais comum nos casos severos ou clássicos do autismo) e que não tiveram atraso na aquisição da linguagem. Em geral, elas costumam ficar mais isoladas, são classificadas como antissociais, muito tímidas, ingênuas, metódicas e até “frescas” – já que são mais sensíveis a barulhos, luzes e até a toques.
Sinais
Confira os sintomas mais comuns do autismo em um adulto. Caso se reconheça na maioria dos sintomas, procure o atendimento de um especialista:
Interação
Tem dificuldade para compreender regras sociais subliminares, manter contato visual, entender expressões faciais que não são óbvias, dar continuidade a um diálogo e entender metáforas, ironias e piadas.
Socialização
Não demonstra ou recebe afeto com naturalidade, não costuma falar sobre seus sentimentos, não se envolve com interesses alheios, não consegue se colocar no lugar dos outros, encara a vida de forma muito objetiva, prefere falar de poucos assuntos específicos e não percebe quando os outros não estão mais interessados.

Funcionamento
Trabalha melhor sozinho do que em equipe, não tem bom desempenho em entrevistas de emprego, não costuma ter bom desempenho escolar ou na universidade especialmente por ter foco bastante restrito.

Sensibilidade

Sofre mais com barulhos incômodos, ambientes agitados, roupa de tecido não tão confortável ou comida com espessura, cheiro ou gosto diferente do que está acostumado. São frequentes outras alterações sensoriais, como hipersensibilidade a luzes e ao toque.
Fonte: Redação com especialistas entrevistados.
Asperger
O termo asperger deixa de existir como diagnóstico a partir deste ano, com o lançamento da quinta versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Caracterizada basicamente por dificuldades na interação social, padrão repetitivo de comportamento e interesse com foco restrito, a síndrome passa a ser incorporada ao chamado Transtorno do Espectro do Autismo, sem diferença de classificação em relação a outros níveis de autismo.
Pode parecer que um diagnóstico de autismo em pessoas que levam uma vida “normal” – com estudos, trabalho e relacionamentos afetivos – não faz muita diferença, mas relatos de quem passou pela experiência contrariam essa ideia. Hoje é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Confira ação realizada em Curitiba.
Poder dar um nome para o que se tem e saber que existem outros com os mesmos problemas ajuda muito. Há seis meses, o músico Raphael Rocha Loures, 35 anos, teve o diagnóstico, o que fez com que entendesse toda a sua vida. “Foi um choque e meu mundo desabou, pois tudo o que eu tinha como real era totalmente diferente em outras pessoas. Tive de reconstruir o que vivi em 35 anos sob um novo ponto de vista”, conta.
Ao contrário do que normalmente ocorre hoje, com pais recebendo o diagnóstico dos filhos ainda muito pequenos, Raphael é que teve de fazer o anúncio para a família. A primeira reação é sempre a descrença, pois ainda se associa o autismo a pessoas que não falam e não interagem ou a gênios esquisitões, personagens comuns no cinema.
“Depois que explico os detalhes é muito comum falarem que meus sintomas, como vontade de ficar sozinho, todo mundo têm. Mas no autismo o cérebro trata das coisas como se fossem algo muito maior e a forma de lidar e sentir é diferente.”
Também é comum a descoberta ocorrer enquanto pais buscam o diagnóstico do filho. “Principalmente os homens dizem que também tinham as mesmas dificuldades quando crianças. Muitas vezes isso reflete positivamente no sentido de entender melhor a si mesmo e seu filho, mas também pode trazer um questionamento sobre a necessidade de tratamento”, conta a neuropsicóloga Amanda Bueno dos Santos.

Quanto mais cedo diagnosticar, melhor
Formado em Letras, Jacob Galon, 27 anos, é revisor de textos e descobriu que tinha sintomas do autismo enquanto trabalhava com um material didático sobre educação especial, com um capítulo sobre a síndrome de Asperger. Ao confirmar o resultado em dois testes on-line, Jacob estava convencido e passou a relembrar os problemas que teve na infância. “Os maiores desafios eram sempre relacionados à interação com colegas ou à falta dela. Na escola, eu tinha dificuldade no manuseio de tesouras, réguas, colas e as aulas de Educação Física eram um desastre”, diz.
Quanto mais cedo é feito o diagnóstico, maior a evolução da criança em trabalhos multidisciplinares, como fisioterapia, terapia ocupacional, equoterapia, hidroterapia, fonoaudiologia e acompanhamentos com psicólogos e neuropediatras. Entre os adultos o acompanhamento também é necessário, mas com enfoque nas dificuldades específicas de cada um e possíveis doenças associadas.
“Muitos deles apresentam sintomas depressivos, ansiedade e dificuldades no casamento e no trabalho. Eles buscam o relacionamento interpessoal, mas é difícil serem compreendidos, tanto pela sua inocência como pelos interesses restritos que têm”, explica a médica Mariane Wehmuth, do Centro de Neuropediatria do Hospital de Clínicas.
Se o paciente tem hipersensibilidade, pode tratar com a terapia ocupacional ou de integração sensorial e o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico pode ser necessário em casos de depressão, por exemplo. No caso de Jacob, os dois especialistas o acompanham e ele usa um medicamento experimental indicado pelo psiquiatra.
Jacob sempre carregou o rótulo de tímido e antissocial e ouviu que o desconforto que os “toques” causavam nele era frescura. Hoje ele assume sua condição e mantém um blog e uma comunidade sobre o assunto no Facebook, trocando experiências com autistas de vários países. Um reconforto a quem não se sente mais sozinho em um mundo que também têm muitas pessoas de “esquisitos mundos particulares”.

“A linguagem corporal para mim é um buraco negro. Eu me comunico verbalmente, nem enxergo o resto. Isso é muito sério por que o mundo trabalha com essas habilidades sociais e espera que você faça e entenda essa linguagem.” Raphael Rocha Loures, 35 anos, que descobriu que tem autismo há seis meses.


http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1359092 








Juan Pablo Reyes, de 32 anos, é o primeiro funcionário com Sindrome de Down que se incorporou a administração pública na província de Salta, no interior da Argentina.

"Hoy estoy muy feliz de poder seguir trabajando y seguir creciendo, más ahora que estoy en un área importante porque me desempeño en la secretaría privada del ministro de Trabajo, Eduardo Costello y eso significa mucho para mí", expressou Juan Pablo.

 Fonte:http://salta.infonews.com/2014/02/26/salta-126484-estoy-muy-feliz-con-mi-trabajo-dijo-el-primer-empleado-publico-salteno-con-sindrome-de-down.php#

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014


CURSO - EDUCAÇÃO MUSICAL INCLUSIVA

O Musicais Diferenças convida para a formação voltada para educadores musicais e músicos com interesse em educação inclusiva.

Dias 22, 23, 29 e 30 de março, das 9 às 17h, na sede da Mais Diferenças [Rua João Moura, 1453 - Pinheiros, São Paulo]. A taxa é de 20 reais.

Para participar, envie um email para musicaisdiferencas@md.org.br.
O período de inscrição vai até 3 de março.

As vagas são limitadas. Participe e divulgue!

 







quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014


13/02/2014 06h00 - Atualizado em 13/02/2014 06h00

Menino com paralisia cerebral começa a andar após praticar surfe

Antes de entrar no mar, garoto faz alongamento e exercícios lúdicos.
Escola Radical, em Santos, é a primeira escola de surfe pública do país.

Mariane Rossi Do G1 Santos
Uma criança de Santos, no litoral de São Paulo, diagnosticada com paralisia cerebral, surpreendeu a família e os professores ao aprender a andar oito meses após começar a praticar aulas de surfe. Raphael dos Santos, de 10 anos, conseguiu deixar a cadeira de rodas e, atualmente, chega para as aulas caminhando, sempre ao lado da mãe.

A luta do menino começou nos primeiros dias de vida. "Ele nasceu praticamente morto, mas Deus me deu ele de volta", conta a mãe de Raphael, Fabiana dos Santos. O menino ficou alguns dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e depois foi levado para casa. Porém, nos primeiros meses, Fabiana percebeu que o filho era diferente das outras crianças. "Uma doutora me disse que o meu filho não tinha capacidade de andar, de falar e nem de sentar. Ela disse que iria ficar mole, como quando estava no meu colo", diz Fabiana. Pouco tempo depois, Raphael foi diagnosticado com paralisia cerebral.
Separada do marido, ela passou a levar o menino para a Casa da Esperança para receber tratamento específico, com a ajuda da avó de Raphael. Ele foi crescendo, mas não conseguia andar nem falar, só engatinhava e ficava sentado. Aos 9 anos, Raphael passou por uma cirurgia nas pernas e ficou em uma cadeira de rodas. Logo depois, o surfe surgiu na vida dele. "Eu conheci um amigo do Cisco (surfista) que trabalha com fisioterapia e ele me indicou as aulas", conta Fabiana.

Mesmo com medo, a mãe resolveu levar o menino para a Escola Radical, em Santos, a primeira escola de surfe pública do país, coordenada por Cisco Araña. No primeiro dia de aula, Raphael não saia da cadeira de rodas. Por causa da cirurgia, as pernas dele só ficavam esticadas e ainda não tinham voltado ao normal. "O Cisco o levou para o mar. Eu pensei que iriam afogar o meu filho, fiquei na areia olhando, eu tremia. No dia seguinte, fomos de novo", conta a mãe.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014


 
                                              PRIORIDADE PARA O AMOR

Requerimentos de adoção de crianças e adolescentes com deficiência ou doença crônica terão prioridade de tramitação na Justiça.

A presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei nº 12.955/14 que dá tratamento preferencial a esses casos.

O objetivo da nova regra é ampliar a procura de órfãos nessas situações.

Atualmente, o Brasil tem mais de cinco mil crianças e adolescentes à espera de uma família, segundo o Cadastro Nacional da Adoção, do Conselho Nacional de Justiça, o CNJ.

O levantamento do CNJ mostra que apenas 18,08% dos pretendentes estão dispostos a adotar irmãos.

Do total cadastrado, 82,45% deseja apenas uma criança.

Com relação à raça, 90,91% dos interessados aceitam adotar brancos, 61,87% pardos e 34,99% negros.

Querem adotar meninas, 33,04% dos pretendentes.

A maioria dos interessados (76,01%) prefere crianças com até três anos de idade.

Confira aqui http://bit.ly/1gQBJrh


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Crianças e jovens superdotados: como desenvolvê-los plenamente?
Recentemente um site de notícias brasileiro publicou a informação de que um menino de 4 anos está sendo apontado como um futuro Einstein. Ele fez 160 pontos em um teste de QI (a mesma quantidade do Albert Einstein e Stephen Hawking) e mostrou ser capaz de contar até 200, ler mais de 600 livros em seis meses, resolver operações matemáticas e citar todos os países do mundo. Os médicos dizem que o garoto tem idade mental de oito anos e nove meses, mais que o dobro da idade biológica.

O nome dele é Sherwyn Sarabi. A fala começou aos dez meses. Aos três anos ele se tornou membro da Mensa, famosa sociedade que reúne pessoas com altos quocientes de inteligência do mundo. Por esta desenvoltura, foi a primeira criança a ganhar uma bolsa de estudos integral para uma escola de elite do Reino Unido. Atualmente ele frequenta uma classe de alunos com nove anos na Rastrick Independent School, em Huddersfield, Inglaterra. Sherwyn mora em South Yorkshire. A mãe, Amanda Sarabi, foi professora e diz que o filho “é uma criança saudável, muito feliz e adora falar”. Segundo ela, tanto a família quanto a escola se esforçam para que as necessidades do garoto sejam supridas.

Como trabalhar com alunos com altas habilidades?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) pelo menos 5% da população tem algum tipo de alta habilidade. No Brasil, até o ano passado, haviam sido identificados 2,5 mil jovens e crianças assim. Estas crianças e jovens precisam de uma flexibilização da aula para que suas necessidades particulares sejam atendidas, o que os coloca como parte do grupo que tem de ser incluído na rede regular de ensino.
De acordo com a diretora do ICG, Ms. Sandra Izabel Chaves, “trabalhar com uma pessoa com altas habilidades significa priorizar o desenvolvimento de suas potencialidades para que, posteriormente, a mesma possa contribuir com a sociedade em que vive.”
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FONTE: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/12/menino-de-4-anos-com-qi-de-einstein-entra-para-clube-dos-superdotados.html

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014


Prêmio Experiências Inclusivas

    Boa evolução de criança com deficiência vale prêmio à escola. O caso da estudante S., matriculada no Maternal da Escola Municipal de Educação Infantil Irmã Consolata, de Erechim (RS), valeu à instituição o primeiro lugar no Prêmio Experiências Inclusivas – A Escola Aprendendo com as Diferenças, categoria Escolas Públicas. Matriculada em 2012, com diagnóstico de paralisia cerebral, a garota, nascida em 2009, apresentou melhoras em todos os sentidos a partir da interação com os colegas.
    
       Prematura e filha de pais dependentes químicos, S. foi adotada por uma nova família quando tinha um ano e um mês. Ao ingressar na escola, apresentava uma série de dificuldades: não firmava a cabeça, temia a aproximação das pessoas, assustava-se com movimentos bruscos, não se comunicava e mal se locomovia.

        A professora Andrea Paula Ceron aponta a socialização da menina como o principal avanço. “A partir dessa melhora, conquistamos a confiança, o carinho”, diz. “Houve evolução na linguagem oral, na postura em pé, na atenção e concentração, hábitos de higiene e autonomia.” 

         A professora salienta que a melhora da estudante foi resultado de um trabalho dos professores, da equipe de apoio ao processo de aprendizagem, dos profissionais do atendimento educacional especializado, da direção, funcionários e comunidade de pais. “A filosofia da unidade é educar com liberdade para brincar, imaginar, sonhar e viver, valorizando e respeitando as diferenças”, explica Andrea. De acordo com a professora, a escola vem cumprindo a missão de ampliar e aperfeiçoar cada vez mais essa prática. “A criança desenvolve as habilidades e competências vivenciando-as na alegria, na magia, no encontro da infância”, pontua.

       A escola municipal de educação infantil Irmã Consolata tem por objetivo fazer com que os estudantes aprofundem seus conhecimentos em várias áreas, tendo ao mesmo tempo um crescimento cognitivo, socioafetivo e psicomotor. A escola respeita e valoriza as habilidades, competências, faixa etária e as diferenças dos alunos.

        Secretaria – Esse trabalho é reflexo, em parte, do atendimento especializado a crianças com deficiência desenvolvido pela Secretaria de Educação de Erechim. No prêmio, o município recebeu o segundo lugar na categoria Secretarias.

      De acordo com o secretário de Educação de Erechim, Alderi Antonio Oldra, são ofertadas todas as condições possíveis e necessárias para que os estudantes sejam atendidos, nas escolas, por profissionais preparados, com formação permanente. “Implantamos o trabalho de bidocência, ou seja, a presença de dois profissionais na mesma turma quando há estudante com deficiência sem autonomia de vida”, explica.

        Há também em sala de aula a presença de tradutor-intérprete da língua brasileira de sinais (libras) para crianças surdas. Além disso, é oferecida educação bilíngue, quando os pais a requisitam. A secretaria também oferece fonoaudiólogo, além de transporte escolar específico e adaptado, da porta da casa do estudante até a porta da escola.

       Segundo o secretário, o trabalho de atendimento educacional especializado ocorre em todas as escolas do sistema municipal de educação, em salas de recursos multifuncionais, em que é desenvolvido um trabalho pedagógico norteado pela política nacional de educação especial, na perspectiva da educação inclusiva. “Erechim respeita as diferenças e inclui todas as pessoas com deficiência nas classes normais das escolas municipais”, salienta. “Os desafios aumentam e vamos trabalhar fortemente para dar atendimento de qualidade a todos, sem preconceito algum.”

Ana Júlia Silva de Souza
Palavras-chave: educação inclusiva, educação infantil

Por Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down